Um olhar sobre a Prostituição Masculina ...


09/05/2006


INCERTEZAS...

 

Neste cenário não existe certo ou errado,existe somente personagens tentando sobreviver.

Para garantir a sobrevivência faz-se necessário transpor alguns obstáculos,esquecer alguns valores,seguir as regras do grupo, enfim se adequar.

O início na prostituição é muito difícil, uma vez que o grupo é formado por diferentes pessoas com histórico de vida opostos.

Eles se unem, disputam, sofrem e sorriem vivendo cada dia para garantir a  sobrevivência.

É uma questão de adaptação, de aceitação, de rever valores, de se desprender do passado ...Nesta profissão os sentimentos não podem dominar a razão.A razão deve vir em primeiro lugar para que não haja maior sofrimento.

Neste contexto entra a angústia, a depressão, a tristeza repentina, o arrependimento, a dúvida ...A droga vira a válvula de escape, a fuga da realidade, a calma passageira em meio ao turbilhão de acontecimentos.

Ao longo do caminho ela se torna o transtorno e o motivo da estagnação.

Escrito por Andresa Vicentini/pesquisadora às 02h34 PM
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08/05/2006


VIDAS...

 

No primeiro fliperama encontrei com Caio, garoto de periferia, usuário de droga, menino cheio de sonhos de consumo que fugia da realidade através da droga e da prostituição.De tão drogado que estava não conseguia falar.

Ele disse : “Entrei  na prostituição para ter tudo aquilo que não teria  nunca”, mostrou-me sua correntinha de ouro como que a um troféu que justificava todo sacrifício.Deveria ter 17 anos, sua família desconhece sua profissão, para a família ele é moto boy.

Se prostituía pelo dinheiro, justificativa ao meu ver superficial demais frente o dia-a-dia da prostituição, todavia menos agressiva e reflexiva.

Neste menino de periferia percebi o quanto o ter substituiu outros valores e o quanto a droga escraviza o ser humano.

 

Andando pela noite fui observando cada um dos profissionais que a compõe, após conversar com Caio, parei num bar, para beber um refrigerante, aproveitei para conversar com  alguns freqüentadores.

As pessoas não percebem nada , estão indiferentes a tudo e ao meu ver esse tipo de situação é normal.

No final da rua surge :

 

Alexandre –

 

Um dos michês que me chamou atenção pela revolta e pela resistência, deixou bem claro o seu pouco caso em relação a opinião alheia.

Ao aproximar –me ouvi: “Escreve ai, que eu sou sem vergonha, que gosto do que faço e estou aqui por que quero”

Depois de seu desabafo , dei espaço para ele falar mais , foi ai que ele me falou de sua idade (27 anos), do uso de droga....e da falta de perspectiva em relação a vida.

Então agredia a todos que julgava descriminá-lo, sendo assim o Mundo...

Pelo que conheci desse universo a sua idade também limitava suas possibilidade.

 

Ricardo

 

Este também se tornou um amigo, nos encontramos diversa vezes no centro.

Rapaz de classe baixa , usuário de droga , coisa que ao longo do tempo pude perceber comum entre michê,.

Um rapaz muito sensível e delicado, com percepção de toda a sua realidade.

Marceneiro em sua terra natal, estava juntando dinheiro para voltar para sua cidade casar com sua noiva e montar uma marcenaria.Seus programas eram feitos em sauna e na rua.

Escrito por Andresa Vicentini/pesquisadora às 01h14 PM
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Escrito por Andresa Vicentini/pesquisadora às 12h36 PM
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