
Prostituição é muito mais que uma questão social.
Quando há muitos anos disseram que iriam colocar um homem na lua ou que iriam clonar pessoas parecia utópico.
Hoje parece utópico colocar as pessoas de volta no planeta com um mínimo de coerência.
Perguntaram a uma senhora nômade do que ela sentia falta e saudades. Um breve silêncio, e a resposta foi apenas uma expressão de questionamento. Ela desconhecia sentimentos como falta e saudade. Aquele era o seu mundo.
Sem apegos, um dia de cada vez, seguindo os melhores ventos e não tendo motivos para olhar para trás.
Não podemos responder aquilo que desconhecemos. E nem sempre o conhecimento e a inteligência nos fazem mais racionais e melhores.
Muitas vezes temos que nos despir de nós mesmos, dos nossos conceitos para formular algo tão maior e que dê sentido a nossa existência.
A prostituição não tem sexo, cor, raça e uniforme. Com tempo o nosso corpo se degenera e convivemos apenas com as nossas lembranças onde muitas vezes fomos atores principais em peças que nem Sade ousaria escrever.
Hoje há um grande olhar voltado para a prostituição masculina, porque até então eles tidos como provedores, o lado mais forte da história se encontram sob foco da mídia.
Essa coisa que tem o poder de enaltecer e ruir com pessoas.
Observamos o próprio contexto de nu artístico masculino que temos disponível no mercado mundial, muito pequeno em face ao feminino.
Pegar exemplos de prostitutas famosas que mudaram suas histórias ou mesmo as estatísticas que 66% das mulheres já fantasiaram em ser prostitutas, segundo a revista Marie Claire, me faz lembrar do sonho americano. Algo que se compra sem garantias e o centro de reclamações mais próximo está do outro lado do oceano.
O fato é que viver de exemplos, sejam bons ou ruins, nos afasta da nossa essência, porque cada ser é único.
Não dá para tratar certos problemas como epidemia, quando o DNA é uma cópia exatamente oposta à outra.
A prostituição não é a profissão mais velha do mundo como muitos dizem. Ela talvez seja o primeiro grito de socorro abafado da humanidade.
Ninguém sente prazer em violentar muitas vezes seus limites e sonhos em nome de um propósito maior. Você até pode discordar, mas ouça o seu coração e vai perceber.
Todos temos sonhos, vontades e até bem pouco tempo atrás acreditávamos no Papai Noel.
Dinheiro fácil. Ao contrário. Fácil é ver e mostrar o que a sociedade quer ver. Hoje praticamos a filosofia do parecer.
Parecer que é bom e que gera sucesso. Não medimos mais as pessoas pelo que elas possuem ou fazem. Mas pela aparência.
E compramos pessoas a todo momento, assim como suas histórias.
Nessa batalha não há vencidos ou vencedores, apenas a vontade de sobreviver. Seja com o nome, tom ou cor que seja dado.
Em toda profissão fala-se em carreira, com o objetivo de gerar a satisfação pessoal, moral e criar condições para um futuro melhor.
Ver por esse lado realmente a prostituição é algo transitório, mas nossas necessidades básicas não são. Ninguém vai chegar a ser CEO prostituta ou michê, falando de uma maneira bem humorada, mas podemos fazer que isso seja menos doloroso e principalmente menos perigoso.
Sob a escuridão, o frio da madrugada, os passos atentos aos faróis, à espera de um próximo cliente ou dentro de uma casa aparentemente segura, a todo o momento mais um rabisco vai sendo delineado com um único objetivo, sobreviver. Quando na realidade queremos viver, como seres especiais sendo parte de algo e de alguém.
A única mensagem que podemos deixar aqueles que estão nas ruas esperando o próximo cliente é que estamos te esperando.
Porque sempre há pra quem voltar.
Só precisamos de um olhar sob a prostituição.