Um olhar sobre a Prostituição Masculina ...


31/03/2006


Texto encaminhado por Maria Cecília Ammadeus (Blog http://ex-prostituta.zip.net )

HIV – O Vírus do Preconceito


 



 


          Por mais que se combata a AIDS, por mais campanhas publicitárias que se façam, por maior que seja o empenho das sociedades independentes, como as ong’s e fundações, o HIV vem demonstrando nos últimos tempos que, de uma forma ou de outra, num lugar ou noutro, continua a se fortalecer e a desestabilizar todos aqueles que lutam contra ele, através do preconceito, da falta de politicas sérias de combate à AIDS, de campanhas de conscientização, de prevenção e apoio aos soropositivos.


          Nos finais dos anos 80 e início dos anos 90, a AIDS alarmou o mundo, assustou o Brasil que, prontamente, mesmo de forma incoerente e nem tão correta, reagiu O nosso Ministério da Saúde se empenhou em campanhas publicitárias no combate à epidemia. Depois, resistiu por um bom tempo quanto à importação do AZT até que ceifasse assim alguns milhares de vidas para que o nosso democrático governo compreendesse da pior forma possível, que a importação de tal medicamento e de outros similares, era imprescindível à vida das milhares de pessoas contaminadas. Inclusive, li num texto do Betinho que o secretário do governo, responsável pela importação de tal medicamento na época, chegou mesmo a afirmar em entrevista, que o AZT era coisa de “Bicha rica” e, para mim, esta expressão representa fielmente toda ignorância e falta de bom senso ou seriedade dos nossos governantes.


          Eu ainda acredito no povo brasileiro, acredito em solidariedade, e, vivendo fora do Brasil, acredito a cada dia mais, que o povo brasileiro é o povo mais solidário do mundo. Condeno de todas as formas, qualquer tipo de preconceito, de desleixo, e de discriminação. É uma tristeza ter de acreditar, que ainda hoje, em 2006, num país democrático como o nosso, os aidéticos, além de conviverem com uma doença tão complicada por si só, ainda são obrigados a conviver com o preconceito e com a discriminação a que são submetidos a todo momento, pela nossa falta de senso de humanidade, ou de, pelo menos, nos informarmos melhor sobre este ou aquele determinado assunto. Com a falta de conscientização da sociedade, são obrigadas a se sentirem envergonhadas por estarem doentes, a se esconderem solitárias, reprimidas, e se perturbarem pela falta de apoio e de solidariedade desse nosso mundinho que se diz tão “democrático.” Ora! Todo mundo tem direito à vida, todo mundo tem direito à dignidade, e o governo brasileiro, não está fazendo nenhum favor aos aidéticos, quando cria minimamente uma melhor condição de vida a estas pessoas. O governo não está fazendo nada mais do que sua própria obrigação.


          E acredito sim, que com um pouco de compreensão, de devoção, de companheirismo, com a ajuda voluntária das pessoas de bem, que desejam ajudar, podemos tornar o mundo destas pessoas muito menos penoso. Com a nossa compreensão e conscientização sobre a doença, estas pessoas podem ser tranqüilamente reintegradas socialmente, podendo trabalhar, criar, produzir, crescer como qualquer outra pessoa, podendo tranqüilamente ampliar os laços e a convivência com a família ou grupo social a que pertencem de um modo geral. Para isto, basta que cada um reflita um pouquinho sobre nosso comportamento perante tal realidade. Você já se questionou sobre isto? Quem lhe garante que neste momento você também não está infectado com HIV? Você conhece 100% a idoneidade das pessoas com as quais se relaciona? Ah! Pois é… com você nunca estourou nenhuma camisinha? Nem fez transfusões de sangue? E nem nunca se picou numa roda de amigos?


          A doença da “moda”, se é que podemos chamar isto de “moda”, é a Gripe Aviária, a AIDS está ficando de lado, e acho que ninguém está vendo o que vem acontecendo nos países mais pobres principalmente da África. Não se enganem, a AIDS não pode ser esquecida, e os aidéticos não podem ser tratados como extraterrestres, nem como o lixo social, excluídos e escondidos como se tivessem cometido um pecado, pelo qual devam se envergonhar pelo resto da vida. Acordem, o preconceito, a discriminação e a desinformação matam ainda mais que a AIDS. Como já dizia o Betinho: “Democracia serve para todos, ou não serve para nada.” Temos de universalizar a AIDS, a doença não é um problema só dos aidéticos, e sim de todos nós. Temos de reagir, de nos mobilizar, e combater com todas as nossas forças as políticas de exclusão.


 


Visitem


http://www.brendalee.org.br/

Brenda Lee é uma casa de apoio a aidéticos não governamental, ajude como puder, se cada um de nós doar um pouquinho, com toda certeza, podemos fazer um mundo melhor.


 


 


Maria Cecília Ammadeus    


 

Escrito por Andresa Vicentini às 11h55 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

28/03/2006


Comentários

Um comentário em especial fez com que voltasse a refletir, ao longo de todo este trabalho seria impossível não me envolver completamente e querer mudar algo neste universo.

Com a tese e as linhas que farão parte de meu futuro livro ao menos consegui com que este problema viesse a tona e com que alguns leitores pensassem á respeito.

O trabalho desenvolvida na prática foi em Ongs e Casa de Apóio, todavia eles se limitam a resolver problemas emergenciais, que no meu entendimento tem uma grande importância uma vez que todos fecham os olhos para tais questões como se este tipo de exclusão não existisse e não fizesse parte da sociedade como um todo.Mas estas pessoas fazem parte de nossa sociedade e caminham lado a lado conosco quer nos queiramos ou não..Então não basta ignorar tem que tentar mudar!!

A luta é grande uma vez que a prostituição e todas as suas ramificações geram lucro para diversos seguimentos, na verdade para alguns é um mal necessário.Não estou julgando os profissionais envolvidos uma vez que cada um de nós nasce livre para fazer suas escolhas o que questiono são os porquês do ingresso neste universo e todos os males que ele acaba ocasionando para um número indeterminado de pessoas.

Se ao menos um dia pudesse ter certeza de que todos que ingressam neste universo tivessem pleno conhecimento do mundo que estão adentrando ficaria mais tranquila o grande problema são as ilusões vendidas, o benefício de poucos em detrimento de muitos, a escravidão total gerada a longo prazo e consequente destruição da dignidade humana.

Em resposta ao comentário posso afirmar que gostaria de contribuir mais e mais para modificar este panorama triste e que por mais que tentamos negar caminha lado a lado conosco e nos atinge !!!

Escrito por Andresa Vicentini às 08h17 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]

Agradecimentos

Gostaria de me desculpar por estar escrevendo pouco nos últimos dias, mas prometo me dedicar mais a este Blog.

Quero agradecer a todos os comentários, saibam que eles são o reconhecimento de meu trabalho e também contribuem muito para melhorar meu Blog.

Todos os comentários, críticas e ajuda são bem vindas..Obrigada!!!

bjs

Dre

 

Escrito por Andresa Vicentini às 07h29 AM
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Livros, Viagens
Outro - andresavicentini@uol.com.br